Por favor, diga 'Travessuras'

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Maio 11


Ok, eu prometi a mim mesma que só escreveria algo depois das provas de hoje, mas aqui estou eu, esperando dar a hora para entra numa prova que não me sinto preparada pra fazer, escrevendo.
Uma das provas, a mais difícil – e, por conseqüência, a que eu mais tinha estudado – ficou para amanha, o professor adiou. E eu devia mesmo estar estudando, mas com esse monte de mosquito aqui não dá. Eu não consegui me concentrar com essas coisas voando na minha cara. E eu não quero ir pra sala de IDPP agora, porque aquele maníaco vai estar lá.
Faz muito tempo que eu não escrevo de verdade, pelo menos nada que seja curto e só por blog. Por esses dias, deu a coceirinha gostosa pra escrever de novo. Não sei o porquê, mas acho que é porque muita coisa mudou, e mudou para melhor.
Já estamos em maio e esse mês é aniversario da minha mãe e dia das mães, acabei indo a falência para comprar o presente duplo dela. Nesse mês acabou também o meu contrato com a prefeitura, mas já foi renovado, graças a deus. E teve a parada gay também, embora o verdadeiro nome disso seja ‘Movimento de Conscientização Homossexual’ – e vou te contar uma coisa: são os homossexuais que precisam ser conscientizados, sexo explicito no meio da rua não vai ajudar em nada o Movimento deles. Como resultado da falta de respeito que os gays, lesbicas e simpatizantes demonstraram, a Igreja Católica, juntamente com a Betesda, irá entrar com uma ação judicial contra tal movimento. O motivo? O movimento estava acontecendo de frente as duas igrejas na hora da missa/culto e de acordo com a Constituição Federal, art.5°, VI - é inviolável a liberdade de consciência e de crença, sendo assegurado o livre exercício dos cultos religiosos e garantida, na forma da lei, a proteção aos locais de culto e a suas liturgias;  - ou seja háhá pros otários que fizeram besteira.
Outra coisa que aconteceu esses dias foi um a manifestação estudantil aqui na universidade, pois estão reformando o estacionamento e o DCE não concorda com isso, quer que a verba seja mandada para a construção de um restaurante universitário e uma residência universitária, tendo em vista que grande parte dos estudantes daqui vêm de outros municípios todo dia, encarando horas de ônibus.
Fico feliz que o movimento estudantil não tenha morrido, mas acho que eles não têm razão para criticar a falta de prioridade nas reformas, porque o DCE também não tem suas prioridades bem definidas. O restaurante não tem cabimento ser construído agora, pois aqueles que deveriam se beneficiar dele não ficam na cidade até a hora do almoço ou chegam depois da janta, a residência universitária seria uma boa e tal, mas será que o DCE é cego?
As salas de aula de quase todos os cursos precisam de reformas, os CCH que o diga, com rachaduras nos corredores. As salas de administração estão sendo tomadas pelo SALITRE, a Pedagogia é um curso sem terra, por assim dizer. O campus Betânia tem um terreno baldio imenso, que só serve pra juntar mato. O ideal seria pegar a droga do dinheiro e construir um novo prédio, seria melhorar o que já temos. As bibliotecas são desatualizadissimas, a de Direito tem livros de Direito Civil anteriores a 1990.  O DCE tem que rever as suas prioridades, pra mim pelo menos.
Entaao, acho que por enquanto vai ser só isso, porque minha prova começa jaja
Na prox. Falo das musicas que têm me assombrado.

XOXO

Pedaços Soltos 1.0

 





O julgamento terminara. Condenada. Sentenciada a desaparecer.
Quando? No próximo por do sol.
Em doze horas, não existiria mais. Ali, de onde estava, podia ver o Vale dos Mortos. Um lugar sagrado para Ashley, afinal, ainda era ela a única que poderia entrar ali sem medo de enlouquecer. Porque ela era Sua Senhora.
A porta abriu-se, deixando entrever a pessoa que ela menos queria ver: Seu digníssimo marido, ainda vestido com as roupas do casamento, assim como ela. Ashley lançou-lhe seu melhor olhar ‘não chegue perto se não quiser morrer’, mas Alain não se intimidou com aqueles olhos nublados, foi chegando cada vez mais perto, decifrando cada sentimento que os olhos dela exprimiam. Nenhum o fez parar. Até notar que a nuance mudara sutilmente do cinza para o amarelo-gato, e a expressão dela era de nojo. Asco puro.
- Ash...
O olhar dela se apertou. A mensagem era clara: fora!
E não era um fora qualquer. Era um fora total: fora do quarto, do castelo, da vida dela.
- Não tão fácil, garotinha. Não sairei daqui sem um bom motivo. – A tática dele era simples: ela teria de falar com ele, mesmo que para brigar.
  Só que ela estava um passo a frente dele. Cabeça dura como era, Ashley já havia se preparado para essa tentativa fajuta de conversa. Olhando-o com aqueles olhos, ela bombardeou a mente de Alain com as cenas que vira quando fora procurá-lo. E as colocou lá com toda a força possível. Era como se perfurasse a mente dele com facas cegas.
Ele caiu de joelhos, mas não tentou impedir. De qualquer maneira, não havia como, pois uma vez que ele permitira o acesso dela em sua mente, não havia como voltar atrás.
E ela não foi piedosa. Cada ponta de ódio que ela sentiu voltava-se para ele com violência. Os gritos dele, com toda certeza, poderiam ser ouvidos por todo o castelo.
Na mente de Alain, ele via o momento em que Ashley decidira procurá-lo...

Saindo do salão, meio andando, meio correndo com um sorriso nos lábios, o olhar de quem ia fazer uma travessura. Olhava ansiosamente para os lados, procurando alguém, procurando ele.
O vestido que usara na cerimônia pública havia sido encurtado, a saia negra agora mal chegava ao meio de suas coxas, abrindo-se por cima das inúmeras anáguas. As botas altíssimas haviam sido trocadas por sapatilhas de bailarina negras, e, de suas espadas, nem sinal. A tiara prateada estava em uma das mãos, mas logo desapareceu também. Era como se ela quisesse que todos os detalhes que lembrassem à rainha não estivessem ali.
E então, quando começava a preocupar-se, viu movimentos nos arbusto, logo após a entrada do labirinto. O sorriso dela agora era algo largo, algo raro de se ver.
E então ela chegou onde ele estava. E, como um espelho quebrando, seu sorriso desfez-se, e as lágrimas alcançaram seus olhos agora azuis, devido à tristeza. De azul, foram a vermelho, até as chamas que queimavam neles pudesse quase ser sentida.
Alain, encostado numa das sebes, segurando Sasha pela cintura, olhos fechados e a boca ocupada em beijar a loira.


MUSICA: COLLIDE

A água que saia das fontes evaporaram, as árvores tornaram-se mais secas, como que o outono estivesse se aproximando. E então, tão calada como chegara ali, Ashley correra na direção contrária, a que levava ao Vale dos Mortos, ou Vale da Morte, dependendo de quem chamava.
E lá ela deixou que as lagrimas finalmente caíssem, sentada nas raízes de árvores milenares, com aquelas sombras indo e vindo, sem, entretanto, fazer mal a ela. Claro. Era a Senhora deles.

Mas alguma coisa mudou nas lembranças de Ash, e Alain sentiu que ela não queria que ele soubesse.  Por esse único motivo, ele forçou sua entrada.
Não conseguiu muita coisa, é claro. Assim como ela não conseguiria com a dele.
Mas conseguiu o bastante.

Dois corpos, nus, entrelaçados em uma cama.

- Quem era? – Ele pensou que valia a pena forçar a barra. Se não fosse uma informação valiosa, a pequena megera não o teria tirado de lá tão rápido.
- Ninguém. – Ela quase cuspiu a palavra.
- Tinha mais gente do que ‘ninguém’ ali.
- Não era nada que você precise saber. Para falar a verdade, você não precisa saber de nada, mesmo. Em menos de doze horas poderá curtir sua liberdade novamente.
- O que você quer dizer com isso? – Ele levantou a sobrancelha. – Se você não lembra, o divórcio aqui só acontece com um advogado: A Morte.
- Eu sei quais as leis que regem meu reino, muito obrigada. – Ela resmungou. – Sei até melhor do que você.
- A claro, a Madame-sabe-tudo é sempre a mais informada. Então me diga, como vai me matar? Porque eu não pretendo me deixar morrer assim tão fácil, sabe?
- E quem perderia seu tempo tentando matar um traste inútil que nem você? – A rainha desdenhou, mas a voz dela tremia.
Ele demorou demais para entender o que havia ouvido, e, quando entendeu, Ashley havia deixado o quarto pela janela.
Seria ela a executada. E ele nem mesmo sabia.

Capitulo 01 - A Little Piece of Heaven



Hoje tinha tudo para ser o melhor dia do ano, mas não foi, graças a um plano mirabolante do destino, é obvio.

Para começo de historia, é o primeiro dia de aula na faculdade após quase dois meses sem rever meus amigos. E todos nós sabemos que na primeira semana de aula, em qualquer instituição de ensino, é pura festa. Imagine quando a tal instituição é uma faculdade. Então lá estava eu, passeando com meu Converse vermelho de cano alto, farda preta do curso e jeans skinny, me sentindo a ultima Coca-Cola gelada do Saara, vendo os novatos se entulharem para a palestra de boas vindas que, com certeza, ia começar com horas de atraso, e esperando o tempo passar, pois eu estava bastante adiantada (como sempre), quando uma moto prata surge do nada e quase me mata.

Minha primeira reação foi ter um acesso de raiva. Estávamos em uma via de pedestres, o que diabos ele estava pensando colocando aquela moto monstruosa pra cima de mim?

Só que nem isso deu tempo. Em menos de dois segundos ele olhou pra mim, e eu vi no brilho de seus olhos o reconhecimento, junto com uma surpresa, ao mesmo tempo em que ele dava meia volta e eu ficava com aquela sensação de que já o conheço.

Passei quase dez minutos inteiros tentando lembrar onde eu o havia visto. A única hipótese que me ocorria era que ele estudava comigo, ou ao menos na faculdade, mas como eu o reconheceria de novo, se seu rosto estava tampado com aquele capacete? Talvez algum dos meus colegas de classe... Ele estava de blusa preta, mas não tinha certeza de que era a mesma minha farda.

Tal conjectura se mostrou correta quando, às sete da noite, na última carteira da última fila ao lado da porta, eu observei todos os meus amigos reunidos. Na realidade, faltavam dois, mas era de conhecimento público que eles haviam desistido; e havia três novatos: uma moça e dois rapazes e, quando olhei para ela, meu choque foi tremendo. Se não fossem os olhos claros, a boca mais fina, pequenos detalhes do rosto e estatura mais elevada, ela seria eu de cabelos negros e sem maquiagem. Pelo menos não o mesmo tanto de maquiagem que eu costumava usar. Ela estava na carteira do lado oposto a minha e olhava fixamente para frente, concentrada na conversa com o novato que a precedia na fila.

O meu lugar era tão característico que nenhum dos meus amigos ocupava-o. Sempre sentei perto da saída, pois tenho um pendor natural para matar aula. Minha natureza inquieta nem pedia movimento, que eu respondia com uma longa caminhada solitária pelo campus, acompanhada dos meus fones de ouvido no volume mais alto. A luz da lua sempre me encantou; para ser mais exata, me considero uma pessoa noturna. Não que eu vire noites em baladas, mas costumo passá-las acordada, lendo, escrevendo, estudando ou ouvindo música. Às vezes, leio, escrevo e ouço música ao mesmo tempo. E eu totalmente detesto o sol. Odeio até. Quando tenho que sair de casa durante o dia, sempre é com quilos de protetor solar, que eu também odeio; numa hora bem cedo ou tarde o bastante para os raios de sol estarem bem fraquinhos e causarem o mínimo estrago, com óculos de sol e boné, quase um disfarce.  Efeito ou não, minha pele é branca como leite, logo, não posso maneirar mesmo.

Bem, onde eu estava mesmo? Ah, no último lugar da sala, observando meus colegas à procura do quase assassino e... Bem, de uma outra pessoa especial também (Ok, me processe por ser uma garota normal!). Dois meses desde ultima vez que o vi e meu corpo ainda respondia do mesmo jeito: Gritando com todos os hormônios disponíveis.

Repudiei cada dia dessas férias que me fizeram interromper o que começamos mais ou menos uns três meses e meio atrás. Aparentemente não atrapalharam tanto assim, porque aquele loiro, alto e maravilhoso deus grego de olhos claros veio sentar ao meu lado assim que me viu – um hábito adquirido antes das férias.

-E então? – Ele perguntou.

-Então o que?

-Por que não me avisou da sua chegada? – Ele levantou uma sobrancelha. – Ou decidiu me trocar por um daqueles caras do show?

Entre sorrisos e falsa despreocupação, notei que ele estava sério. E eu sem entender nada.

-Acho que estou sobrando nessa conversa. Que caras e que show eu fui?

-Sexta –feira. – Ele falou – Você me disse que queria ir lembra? O show daquelas meninas fantasiadas. Você sabe qual é.

Um brilho de compreensão surgiu por um minuto na minha mente, mas só por um minuto mesmo. Lembrava-me de ter anunciado aos quatro ventos que queria ir a esse show, mas também lembrava que não pudera ir porque ainda estava no aras dos meus pais, como fiz o favor de lembrar a Tarso no mesmo instante. Ele imediatamente corou.

-De fato, você me ligou do telefone de lá naquela tarde, não é fisicamente possível que você tenha chegado ate a noite. – Meu ‘pretendente’ se rendeu. Ou quase. – Mas havia alguém lá muito parecida com você. Disso eu tenho certeza.

No mesmo instante um sinal vermelho instalou-se em meu cérebro, sem que eu nem mesmo soubesse o porquê. Em todos os locais do mundo existiam sósias sem nenhum parentesco. Às vezes eles se encontravam, às vezes não. Fim da historia. Mesmo assim continuei apreensiva.  Lembrava-me também que na noite do show sonhara estar lá, tamanha era minha vontade.

Mas antes de contar a todos os meus sonhos, devo avisar que eles nunca são normais ou decentes. Às vezes, são a mais pura besteira da face da Terra, às vezes são simplesmente irreais.

O caso é: eu sonhara que estava no show, mas no sonho, Tarso era um simples figurante. Ele aparecia ao longe e eu não sentia nenhum ressentimento em magoá-lo. Para começo de historia, lembro-me de estar fantástica com o tipo de roupa que muita gente desaprova: um corselet de couro preto, saia curta preta, pregueada, meia calça rasgada em vários pontos e minhas botas pretas de salto agulha que batiam abaixo do meu joelho. Os cachos do meu cabelo castanho estavam ainda mais definidos, como se eu tivesse usado babyliss neles; minha franja mais curta, caindo levemente dentro dos meus olhos que assustavam muita gente: um era cor de mel, o outro cinza chumbo, como se olhasse para prata. O fato de ter olhos bicoloridos já seria o bastante para que muita gente me olhasse estranho. O fato de eles terem nuance verdes e azuis só os tornava ainda mais bizarros.

Pois bem, voltado ao sonho onde eu estava de arrasar... Eu me lembro de olhar para a banda composta por cinco garotas e sorrir, como se uma piada interna viesse à tona. Estava no ‘fundão’ do show. Não que eu precisasse, dava pra chegar perto do palco numa boa. O pessoal da cidade tinha um nível de educação altíssimo para esse tipo de evento. Estava encostada em uma parede, observando a guitarrista solo fazer os acordes enquanto eu mesma os repetia numa guitarra imaginaria. Daí dá pra começar a entender a bizarrice da coisa: eu nem sei segurar uma guitarra, quanto mais fazer um solo nela. Levantei a cabeça e olhei pra um de meus companheiros. Ele meio que ria com um só lado da boca, como se me desafiasse.

Na verdade, eu sabia que ele estava me desafiando...

-Alexyssssssssssss. – Tarso me trazia de volta a realidade. – Vai ou não falar alguma coisa?
Revirei os olhos em meu intimo. Ótimo, eu tenho uma sósia. Como se eu não tivesse visto a senhorita cópia naquela sala de aula naquela mesma noite. Apontei-a para Tarso:
-Aquela poderia ser quem você viu no dia do show?

Ele a encarou por alguns minutos. Para falar a verdade, foram apenas segundo. Mas meninos são tão lerdos que fazem o tempo parecer uma eternidade...

-De longe ela engana, mas a diferença é demais. E eu tenho certeza de quem eu vi era idêntica a você.

Ele era cego. Com certeza. Pra minha gêmea, faltava pouco. Considerando algumas gêmeas que eu conhecia, não faltava nada. Mas tudo bem, eu não queria discutir com ele agora. Até porque o professor vinha entrando pela porta principal.

Se você é uma pessoa normal, deve saber que o primeiro dia de aula nunca tem realmente uma aula. A não ser que você esteja em um cursinho preparatório, mas como esses não é o meu caso, deduza que a hora e meia seguinte antes do intervalo seria de pura enrolada. Mas eu precisava da minha presença em sala para passar, então me mantive quieta. Ainda não conhecia aquele professor, e, até conhecer todos os hábitos dele, nada de matar aula. O que não significa que eu prestei atenção em alguma coisa que ele falou. Muito pelo contrario. Primeiras aulas são ótimas para deixar a mente descansar do agito das férias. Pelo menos esse seria meu roteiro se eu não tivesse que pensar sobre o sonho e a coincidência dos fatos.