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Cartas Para Jane - Carta Escrita em 30 de Novembro de 2009


Cara Jane,


Hoje eu estive colocando em ordem algumas caixas e acabei por encontrar algumas cartas suas, enviadas há uns três anos, quando nós mudamos de escola e deixamos de estudar juntas.


Digo ‘três anos’ por contar a partir do final de nosso primeiro ano separadas, caso contrário, se eu levasse em consideração a primeira carta, seriam quatro anos, mas, como a carta a qual me referirei posteriormente é de setembro...


É engraçado como parece que tanto tempo ao mesmo tempo em que parece tempo nenhum... Tua letra continua a mesma, tal qual tu.


São tantos os segredos contados entre folhas de cadernos... Tantas alegrias compartilhadas... Tantos desabafos, revoltas, desilusões e tristezas! Tantas esperanças; conclusões. Tanta força passada pela escrita na impossibilidade de sê-lo feita pessoalmente.


Tenho comigo cartas do Primeiro Ano e Segundo Ano do Ensino Médio. No Terceiro Ano estavas tão ocupada lutando pelo teu sonho de ingressar em Medicina que nada tenho escrito por ti.


A carta a qual me referi acima é a seguinte:


Carta de Jane à Lizzie – Carta 01


Ela foi mandada por meio de nosso ‘correio especial’ e a recebi cerca de um mês depois do meu aniversário de quinze anos, em meados de setembro de 2006. E me chamou a atenção por causa desse pequeno trecho:



‘1° Eu tô na maior amizade com o Thomas, mas já quase desencanei desse daí. Só serve para ser amigo.


2° O irmão dele tá de quatro por mim, mas eu não gosto dele porque ele é infantil; idiota; mamão e feio. Resumindo: é HOMEM.’



Querida Jane, como o mundo dá voltas! Quem imaginava que eu conheceria o irmão do Thomas e por ele sofreria três anos depois? Ri até as lagrimas quando vi essa carta. Não poderia ter prova melhor de que nossos destinos estão entrelaçados?


Bem sei que o conhecias antes de mim, mas nunca o relacionei a esta carta. Para falar a verdade, nem me lembrava bem do conteúdo delas, por isso as estava relendo.


Irmãzinha, como eu sinto saudades de ti. Tenho tanta coisa para te falar! Saudades das nossas conversas, risos e promessas feitas em vésperas de Ano-Novo! Espero que nessas férias possamos ‘acampar’ uma na casa da outra.

Cartas de Jane para Lizzie - Carta escrita em meados de Setembro de 2006


Oi Amore!!!


Desculpa não ter te escrito nem te ligado desde o teu aniversario, mas é que eu tô atolada de prova; trabalho; tarefa; aula; especifica... E romances.


Voltando à questão do Yue, eu não entendi em que exatamente consiste teu plano e, do pouco que eu entendi, acho que não vai dar muito certo não, porque mais uma vez tu vai magoar o pobre coitado e depois vai se arrepender de novo. Só falo isso porque não quero que você se machuque, mas... Se você acha que pode ter algum resultado positivo pro teu lado, bola pra frente, ok?


S.M.E., só sei de uma coisa: tu ta fedendo (tô até sentido a catinga) de ciúmes dele com a Zanôia.


Mulherzinha, mas tu te acalma; tu não vai arrancar os cabelos do Yuizinho não... Tadinho. Ei... Tu não acha que é melhor ele morrer de raiva ou de disenteria?


Eu também tenho muitas coisinhas para te contar:


1° Eu tô na maior amizade com o Thomas, mas já quase desencanei desse daí. Só serve para ser amigo.


2° O irmão dele tá de quatro por mim, mas eu não gosto dele porque ele é infantil; idiota; mamão e feio. Resumindo: é HOMEM.


3° Eu tô quase destruindo o namoro do John. Ele disse que ta quase terminando com a Kenga (é como eu me refiro a ela quando ele vira as costas) dele, daí eu disse que se ele fizesse isso, eu daria um beijo nele como recompensa. Ele ficou bem animadinho... Vamos ver no que dá essa suruba, né?


4° O Octávio, outro colega, ta me queixando.


Tô louca pra ver com qual dessas belezinhas eu vou ficar. Claro que eu tô investindo 99,8% no John, mas...


besitos


Cartas à Minerva



Bem sabemos que nosso começo não foi dos melhores – ou seja, uma verdadeira catástrofe – mas, aos poucos, estamos conhecendo uma à outra por meio de coisas que escrevemos para ninguém em particular além de nós mesmas e nossos amigos.



Bem, pequena Minerva que foi subjugada por um triste golpe de sua Diana, te digo que bem entendo o fato de não teres reagido quando a já supracitada utilizou-se de uma pessoa querida. Trazes raízes diferentes das minhas, mas algumas têm igual essência: Progenitores que esperam que sejamos tal qual o desejo mais profundo deles, sem margem de erros mesmo que em pequenos detalhes.



Não se com você ocorre a mesma revolta ao ver uma injustiça contra sua pessoa, mas em mim sempre dá aquela vontade de fazer uma coisa bem burra e impensada só porque eles disseram para não fazer... Ai lembra-se daquela pessoa que não quer magoar e toda essa vontade some.



Em meu conto, não é uma Diana quem reina, e sim um Senhor Feudal que tem a mente na mesma época em que se aplica o nome e não aceita minhas escolhas e gostos, usando minha querida e inocente mentora a que tão orgulhosamente chamo “mãe” para conseguir me domar.



Entretanto, somos ambas afortunadas: tu, com tua Neverland; eu com minha Avalon; e ambas com a família que escolhemos para estar sempre ao nosso lado. Por isso, Minerva, não desanime porque estás novamente nos domínios de Diana.



És, tal qual eu, pequena e de cabelos escuros... És assim – de acordo com os mitos pagãos britânicos – parte do povo das fadas... O povo das fadas que era para eles uma civilização não só de magia, mas também de festas intermináveis e alegria abundante.



Afie tuas garras antes do momento do retorno e abra suas asas quando o chamado da felicidade for demais para agüentar sem responder. Usa tua força de mulher para vencer, pequena, quase frágil e não-indefesa Minerva.



M.S.