Conversas com a Lua 05



Arrastei-me para o parapeito da janela, sentando lá cm um prato de brigadeiro e música tocando ao lado.


LUA: Estás tão triste...


EU: Minhas aulas terminaram. Apenas devo entregar um trabalho na próxima quarta-feira e fim. Acabou-se o primeiro período da Universidade.


LUA: Então agora está provado: és louca.


EU: Por que pensas assim?


LUA: Estás triste por entrar de férias! A tua turma, quase unanimemente, está contente por ter esses dois meses de descanso e tu estás triste!


EU: Não compreendes. Terminar esse semestre; findar esse ano; é quase uma passagem. Esse novo ano vai mudar tudo.


LUA: Explique, porque eu juro que não entendo.


EU: Esse no eu brinquei, eu não levei nada a sério. Eu fiz tudo o que quis. No próximo semestre vou finalmente ter o 'baque' de ter entrado em um curso em que simplesmente assistir às aulas não vai ser o bastante; vou trocar de sala, eu vou trabalhar. Eu vou crescer mais um pouco.


LUA: Julga isso uma coisa ruim?


EU: Na verdade, não. Mas tenho medo. Passei seis meses estudando com pessoas que raramente vou ver a partir de quarta. Eu não sei o que vai acontecer... Ao mesmo tempo em que tenho medo, tenho curiosidade, sei que vou conhecer pessoas novas, vou ter experiências inestimáveis, vou ter momentos simplesmente fantásticos, vou ter uma vivencia maior com a profissão que escolhi para mim.


LUA: Estás bem falante hoje. Sem duvida tens um tumulto interno gigantesco. Hoje sirvo apenas de ouvinte!


EU: Tu és meu consolo, cara amiga. Sempre me ouve com paciência quase infinita.


LUA: Menina Scarlet; deves deixar esse temor de lado. Lembre sempre desses meses com aquela nostalgia gostosa de quem aproveitou o momento. Lembre dessas experiências e tire proveito delas. Lembre dos risos e tristezas, mas não tenha medo do que está por vir.


EU: Tens razão. Mudanças são necessárias para o progresso, não é isso?


LUA: Mudanças são necessárias para tua pessoa, para que ela evolua, amadureça e – ao mesmo tempo, enquanto mantenhas as lembranças – seja tu mesma. Sem mudanças ficarias entediada, não terias motivos para levantar e encarar a vida. Tu sem mudanças és uma planta em um quarto escuro.